Mesmo sendo favoráveis à concepção da política da educação inclusiva e percebendo os benefícios que sua implementação traria a toda a sociedade, o temor e as preocupações daí decorrentes são inevitáveis.
As escolas, de modo geral, têm conhecimento da existência das leis acerca da inclusão de pessoas com necessidades educacionais especiais no ambiente escolar a da obrigatoriedade da garantia de vaga para estas. As equipes diretivas respeitam e garantem a entrada destes alunos, mostrando-se favoráveis à política de inclusão, mas apontam alguns entraves pelo fato de não haver a sustentação necessária e a devida estrutura para sua operacionalização.
Muitas vezes fica evidente no ambiente escolar a concepção de uma educação voltada para a "normalidade", contrapondo-se à compreensão da inclusão, como um processo que deve abranger todas as diferenças, o que manifesta-se em frases como: "tenho vinte e três alunos, e dois são de inclusão".
É senso comum nas escolas que "todo aluno com condição de aprendizagem formal" deve ser encaminhado para escola de ensino regular. No caso, os educadores consideram as escola que adotaram o sistema de ciclos como as mais preparadas para tal, pois possibilitaria o convívio com as diferenças e com colegas de sua idade. No entanto, ressaltam que algumas crianças e adolescentes não possuem condições de frequentar a escola regular e, em alguns casos, nem a escola especial.
Outra questão bastante discutida pelos grupos escolares é de que o processo de inclusão deve ser compartilhado com todos os segmentos sociais, não ficando restrito à escola. Neste sentido, torna-se especialmente relevante a participação dos diferentes segmentos na implantação dos direitos assegurados em lei para que os benefícios de uma política de inclusão educacional possam ser efetivados.
Assim, incluir pessoas com necessidades especiais na escola regular pressupõe uma grande reforma no sistema educacional que implica na flexibilização e adequação do currículo, com modificação nas formas de ensinar, avaliar, trabalhar com grupos em sala de aula e a criação de estruturas físicas facilitadoras do ingresso e circulação de todas as pessoas.
Espera-se, assim, que cada aluno desenvolva-se de acordo com seu ritmo, independente de estar equiparado ou não à sua turma, e que possam construir sua autonomia e seu conhecimento para poderem viver em sociedade de maneira a ser respeitado em seus direitos e possa participar dela ativamente.
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